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Quanto tempo mais até entrarmos num veículo sem condutor?

Os automóveis totalmente automáticos estão a tornar-se mais rapidamente numa realidade.

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Jason Deign
por Jason Deign, escritor de economia e gestão baseado em Barcelona, jornalista e auto independente.

Desde o setor de transportes rodoviários até à Uber, a indústria automóvel está viva e fala-se em deixar os robots ao volante.

Há uma cena em falta em todos aqueles anúncios publicitários sobre automóveis que estão a invadir as nossas televisões. Mostram-nos as estradas abertas, as curvas panorâmicas, o deslize dos pneus no asfalto. Mas não temos oportunidade de ver o condutor stressado a tentar estacionar o seu automóvel num local apertado. Não é novidade: estacionar é a parte de conduzir que todos os condutores menos gostam, até mesmo os condutores que não abdicam dos seus automóveis por nada. Mas se colocar as suas mãos num Tesla, não terá de se preocupar com isso durante muito mais tempo. Em Janeiro, um fabricante de veículos californiano anunciou uma funcionalidade chamada Summon, que permite ao automóvel estacionar sozinho.

Os automóveis totalmente automáticos estão a tornar-se mais rapidamente numa realidade.

A aplicação chegou ao top de uma já existente e extensiva variedade de funcionalidades de piloto automático, incluindo orientação automática, velocidade e mudança de faixas. De facto, um Tesla pode praticamente conduzir sozinho. Mas a esse respeito, um Tesla não está propriamente a liderar. Os automóveis totalmente automáticos estão a tornar-se mais rapidamente numa realidade.

Existe um programa da Google de carro sem condutor, que tem estado a funcionar desde 2009.

Os veículos eléctricos deste protótipo desenvolvido pelo gigante dos motores de busca, podem não só andar sem necessitarem de condutor, mas também podem monitorizar as suas próprias necessidades de energia através de um sistema de carregamento sem fios.

Até agora os carros da Google só estiveram envolvidos em onze acidentes: todos eles causados por terceiros. É esperada uma baixa taxa de acidentes quando houver uma substituição de humanos por máquinas, uma vez que os Homens estão mais propensos a erros por distrações. Mas a taxa de redução de colisões é apenas uma da lista de benefícios dos carros automáticos, de acordo com Brandon Schoettle, manager do projeto Sustainable Worldwide Transportation na Universidade de Michingan.

Como se não bastasse, o aumento da eficiência da condução poder ser sinónimo de um menor impacto ambiental com estes novos carros sem condutor, do que aquele causado pelos carros movidos a combustíveis fósseis. E ainda mais se, como no caso da Google e da Tesla, os novos modelos de carros são todos elétricos.

Os inúmeros benefícios de ter robots ao volante têm gerado um forte interesse por parte da indústria de camionagem e de transportes complementares, e levou também a que Travis Kalanick, CEO da Uber, avançasse com planos de veículos sem condutores dentro dos seus serviços de rideshare.

“Faz sentido que a Uber e outros serviços semelhantes mostrem interesse nesta tecnologia,” diz Schoettle. “A capacidade de programar eficientemente e atribuir pickups pode melhorar significativamente veículos de auto condução.”

Enquanto os carros do Google se parecem com algo saído do Toy Story, o impacto que os veículos sem condutores podem causar na indústria automóvel tradicional é bastante sério, segundo algumas estimativas.

O analista da Wall Street, Brian Johnson, Managing Director da Barclays Capital, acredita que as vendas dos fabricantes de automóveis nos Estados Unidos podem cair em cerca de 40% nos próximos 25 anos, assim que as famílias substituam um carro familiar por um único carro sem condutor.

“GM e Ford teriam de reduzir a produção na América no Norte em 68% e 58%, respetivamente”, diz Brian Johnson. Numa pesquisa, Johnson compara a ameaça que enfrentam hoje em dia face aos carros puxados por cavalos em 1920, um ano que ele descreve como “hora de ponta”, Schoettle concorda que o futuro parece cada vez mais “sem condutor”.

“Acho que vamos ver carro sem condutores a serem usados um dia,” afirma. “A questão, é quando? Agora é um pouco difícil dizer quem vai liderar a produção. Os fabricantes tradicionais de automóveis como Audi, Daimler e Delphi integram o pelotão da frente.”

Mas é uma empresa de tecnologia que já “acumulou mais quilómetros até agora do que qualquer outra”, afirma. “99% de todos os quilómetros percorridos pelos veículos de sem condutor têm vindo a ser conduzidos por veículos do Google.”

Sendo uma empresa já famosa pelos seus mapas, poderá haver algum conforto em deixar o Google guiar a sua viagem. No entanto, não vai precisar de ir muito longe para procurar uma alternativa, nota Schoettle: “A cada dia que passa, mais e mais empresas estão a envolver-se.”

 

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